Este final de semana recebi um e-mail que me fez pensar um pouco sobre aquilo que estamos entendendo como ENCONTROS PRESENCIAIS para cursos oferecidos na EAD.
Trago aqui o conteúdo do e-mail, e depois algumas observações que partilho com vocês, caros leitores deste blog. Entendo que sempre é bom retomarmos temas “polêmicos” como este, para que possamos aprofundar nossos estudos.
Conteúdo do E-mail:
NotÃcia: USP OFERECE CURSO DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA - LICENCIATURA CIÊNCIAS
Ótima notÃcia. Mas fico com duas dúvidas que sei de antemão que não serão respondidas agora:
1. A UNIVESP continua obrigando o aluno a comparecer várias vezes por semana nos pólos em horário pré-fixado para assistir tele-aulas pela TV Digital? Ou seja, o estado de São Paulo promove o primeiro "curso a distância" na modalidade presencial do mundo!
2. O Programa de Pós-Graduação em Educação da USP tem o costume de não aceitar as inscrições de graduados pela EAD. O veto ocorre já no edital. Será que ela irá manter essa prática para os formados nos seus próprios cursos a distância?
Comentários:
Cada IES é livre para poder criar e gerenciar seus cursos, submetendo-os ao MEC para credenciamento e autorização, seguindo os parâmetros que a legislação apresenta. No tocante a cursos na EAD, há uma indicação de que as avaliações sejam realizadas presencialmente. Mas não se coloca como condição encontros presenciais para outras atividades. O que observamos nestes encontros presenciais ainda é um resquÃcio de uma educação TRANSMISSORA de informações, onde o professor é o detentor do saber e os alunos são os receptores de tais informações (ou conhecimentos).
É salutar lembrar que não é este o “modelo” de EAD que acreditamos...! Defendemos uma EAD pautada na autonomia do aluno.
Vale recordar que os cursos na EAD surgem (na sua essência) para justamente atender a quem não pode freqüentar os centros universitários. Obrigar a participação em encontros presenciais que não sejam para avaliação é um contra-senso.
O uso de vÃdeo-aulas ou outros meios de transmissão de conteúdo devem ser ofertados sim, mas como apoio ao estudo do aluno. O uso das mÃdias e tecnologias serve para que o aluno tenha acesso ao conteúdo, como também para que possa interagir com seus pares, com tutores e professores.
Se a TV (ou outro meio) é usado somente para a transmissão de conteúdo... infelizmente quem está pensando uma EAD assim não compreendeu o que é a Educação a Distância.
Quanto ao caso da USP... o que se tem ainda são questões de polÃticas pedagógicas. Por um lado defende-se a oferta massiva de cursos sem qualidade. Concordo.
Por outro lado há um “apego” à s verbas para projetos e programas que são ofertados para cursos presenciais.
Que a USP seja uma IES de renome no Brasil (e no exterior) é um fato, mas também podemos olhar para outras IES de grande prestÃgio e que estão ofertando cursos na modalidade a distância, investindo em pesquisa nesta área (a exemplo da UNB, da PUC-RG, PUC-RJ, UFAL, entre outras).
Não devemos nos assustar diante da postura dos professores (e alguns alunos) da USP. Mas também devemos buscar uma melhor qualificação para os cursos na EAD.
E quanto aos encontros presenciais... que cada instituição possa verificar mesmo que objetivos busca alcançar com estes encontros...
Eu fico a pensar em alguns alunos que não podem se deslocar, por inúmeros motivos, para os polos de APOIO presencial. Vão ser mais uma vez excluÃdos do processo educativo?
E você, caro leitor? Qual sua opinião?
Para que servem os encontros presenciais em cursos na EAD?
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